Desde os tempos dos calhambeques, a tecnologia automotiva sempre foi um assunto complicado. Com a chegada da eletrônica, tudo ficou ainda mais complexo. Para não acabar no guincho, é importante você entender como os principais sistemas de ignição funcionam, caprichar na manutenção preventiva e escolher bem a oficina.
O conjunto da ignição é um exemplo. É parte fundamental dos veículos a gasolina, etanol, GNV ou flex. Esses modelos precisam de três elementos básicos para funcionar: combustível, ar e uma faísca para iniciar a queima. Se aparecer algum defeito, mesmo um pequeno mau-contato, você pode ficar pelo caminho.
Quer escapar desse problema? Hoje vamos explicar o funcionamento do sistema, alertar para alguns cuidados durante a compra das peças, ensinar como detectar as falhas mais comuns e passar umas dicas para você avaliar o trabalho do mecânico. Gostou? Então “dê a partida” e siga com a gente!
Entendendo os componentes
Nos carros atuais, o sistema de ignição costuma ser formado por esses elementos:
- Chave (ou botão) de partida,
- Módulo eletrônico (independente ou integrado com a injeção),
- Bobina (única, com saída dupla ou uma para cada cilindro),
- Cabos de velas (não usados nos modelos com bobinas diretas),
- Velas.
Alguns itens da parte elétrica também são decisivos para tudo funcionar bem:
- Alternador (inclusive o sistema de acionamento por correia),
- Bateria,
- Chicote elétrico (e seus conectores),
- Fusíveis,
- Sensores (muito usados nas versões mais sofisticadas).
Nos carros com carburador ou modelos clássicos ainda existem outras peças:
- Dínamo (é uma versão mais “primitiva” do alternador),
- Distribuidor (formado por vários elementos mecânicos e elétricos),
- Platinado,
- Condensador,
- Resistor (encontrado em algumas bobinas antigas),
- Regulador de voltagem,
- Relês.
Encontre os defeitos no início
Como você notou, o sistema de ignição é bem complexo, seja num carro novo ou antigo. Qualquer peça com defeito pode alterar o seu funcionamento e, para piorar, é possível encontrar vários componentes com pequenas falhas ao mesmo tempo. O melhor é ficar atento aos primeiros sinais de problemas:
- Dificuldade na partida,
- Rotação oscilando,
- Falhas na aceleração,
- Trepidação no motor,
- Ruídos estranhos (estouros ou a popular “grilada”),
- Perda de potência,
- Aumento do consumo.
Faça uma inspeção visual
Para manter o carro em ordem, o ideal é fazer uma checagem semanal completa. Ao abrir o capô do motor (além de conferir a água, o óleo e os fluidos), é importante ver o estado das correias e avaliar com cuidado os elementos dos sistemas de alimentação e ignição. Muitos defeitos são bastante comuns, fique atento:
- Cabos de velas e fios do chicote ressecados ou trincados,
- Componentes derretidos ou raspados (em contato com outras peças),
- Conectores e supressores frouxos ou soltos,
- Bobinas (e outras peças plásticas) trincadas ou coladas,
- Sinais de curto-circuito ou oxidação.
Nos modelos mais antigos, é importante ter uma atenção especial com o distribuidor. Além de ser um conjunto complexo (engloba a tampa, rotor, platinado, condensador e os mecanismos de avanço), costuma ser um “foco de gambiarras”. Se você notar algo errado, procure um mecânico ou eletricista de confiança.
Outra dica para descobrir problemas no sistema de ignição é fazer um teste no escuro. Se for possível, desligue a luz da garagem, dê partida e deixe alguém mantendo uma aceleração média. Caso veja faíscas azuladas nas velas, cabos e bobinas ou escute pequenos estalos, visite uma oficina o quanto antes.
Cuidados com postos e peças
Em alguns casos, o dono do carro toma decisões erradas ou faz pequenas economias que acabam danificando a ignição. Uma situação comum é o uso de combustível adulterado. Suas impurezas estragam as velas em pouco tempo. Outro problema é usar produtos químicos fortes nas lavagens.
Quando o dinheiro está curto, a manutenção preventiva também é deixada de lado. Mas, com o motor rendendo menos e gastando mais, a conta chega igual: o que se poupa na oficina é gasto no posto. Instalar uma peça barata é mais um engano, pode quebrar logo em seguida e dar um grande prejuízo!
Escolha muito bem a oficina
Como o sistema de ignição chega a misturar componentes mecânicos, elétricos e eletrônicos, sua manutenção exige um conhecimento avançado, literatura técnica confiável, vários equipamentos de diagnóstico e, em muitos casos, até um trabalho conjunto do mecânico com o eletricista automotivo.
Na hora de escolher uma oficina, preste atenção na formação dos profissionais e na estrutura disponível. Hoje em dia, é preciso ter, pelo menos, o básico: uma pistola de ponto, multímetro, caneta de polaridade, osciloscópio, scanner e notebook. Sem esses recursos, é difícil achar a origem real dos defeitos.
Se você tem um modelo importado bastante raro, um carro de luxo, um esportivo ou um antigo clássico, redobre o cuidado. Poucos locais são capazes de fazer uma manutenção de qualidade no sistema de ignição desses veículos. Para não correr riscos, procure ter referências de amigos ou clubes.
Defeitos combinados e improvisos
Outro motivo para escolher uma oficina confiável é o nível de complicação que pode envolver os problemas de ignição. Muitos defeitos são intermitentes, outros parecem falhas de alimentação e, para piorar, em certos casos a origem pode estar bem longe, como no cabeçote, cárter, radiador ou catalisador.
Se você acabou de comprar um seminovo ou um antigo, também não estranhe se o mecânico ou o eletricista encontrar um monte de “gambiarras”. São comuns as trocas de apenas uma parte das velas ou cabos, os consertos com cola e massa, o uso de tiras de câmaras de ar ou a “reforma” do distribuidor com peças usadas.
Para rodar com tranquilidade e economia, além de seguir as indicações de manutenção do manual do proprietário, fale para a oficina instalar apenas os componentes indicados no catálogo do fabricante para o seu carro e nunca acredite em “receitas mágicas” para reduzir o consumo ou aumentar a potência.
É verdade que existem sistemas de ignição de alta performance, tanto nacionais quanto importados. Mas são produtos especiais, criados para motores preparados e que exigem profissionais especializados para fazer a instalação. Qualquer solução barata e improvisada é apenas dinheiro jogado fora.
Por: Nakata